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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Por que há alunos bagunceiros nas escolas?

Por Içami Tiba

Aluno bagunceiro em sala de aula é o que perturba o andamento da aula, prejudicando a aprendizagem - não só a própria como a dos outros colegas. Não vou listar aqui as bagunças mais comuns ou até mesmo as especiais para não estimular o leitor a ser mais um bagunceiro e nem para alimentar a turma da bagunça.  
A bagunça é contagiante. A imitação é um forte componente do aprendizado infantil e juvenil, assim como é a necessidade de pertencer a um grupo. Existe um vínculo entre os enturmados que favorece com que um imite o outro. O grupo, ou turma, reforça o comportamento de um bagunceiro por dois motivos: sensações de prazer e de pertencimento. Em geral é a de pertencimento que gera a idéia: o que um faz, todos fazem.
Geralmente um aluno faz bagunça quando se sente respaldado pelo seu grupo. Raramente quem se sente isolado, fragilizado ou rejeitado faz bagunça a não ser para ser aceito pela “turma dos bagunceiros”.   
As bagunças podem ter várias origens:
  1. A aula é muito parada, enfadonha e sonífera. A bagunça pode ser até um movimento de vida dos alunos. Raramente os alunos aprendem com este clima. Eles gostam de participação, movimentos, novidades, desafios, não perder tempo etc.;
  2. O bagunceiro quer interromper algo que não está gostando. O aluno tem dificuldades em fazer algo que não gosta, que não entende, que não vê o significado do aprendizado;
  3. O bagunceiro não tem educação relacional, não sabe se comportar em grupo, só pensa em si mesmo, sem levar em consideração os interesses alheios;
  4.  O bagunceiro não consegue ficar parado e atento às aulas por ser muito agitado, disperso, desinteressado;
  5. O bagunceiro não aceita regras, quer impor o seu modo de ser às pessoas;
  6. O bagunceiro sente-se suficientemente forte para enfrentar professores ou qualquer outra autoridade docente;
  7. O bagunceiro não tem interesse em que a aula progrida e passa a fazer tudo para atrapalhar o professor;
  8. O bagunceiro não quer estudar, vai forçado para a escola, não gosta de nenhum professor e faz questão de agredi-lo, mesmo durante as aulas;
  9. O aluno necessita ser notado e valorizado de qualquer maneira, mesmo que seja fazendo bagunças;
  10. Todo aluno quer primeiro se enturmar e já na turma quer se sobressair seja no que for, inclusive nas bagunças etc.
 
Uma das melhores maneiras do professor lidar com as bagunças é tomar alguma atitude que seja mais interessante para todos os alunos da sala, inclusive o bagunceiro, desde que elas (bagunças) não causem danos materiais, transgressões às regras internas e externas à sala de aula, contravenções às leis, ferimentos físicos e sofrimentos psicológicos e/ou outros constrangimentos seja a quem for, paralisias, distorções e/ou prejuízos do bom funcionamento seja do que for.
Há bagunças que não são possíveis ser resolvidas no âmbito escolar. A estas, é preciso que a escola convoque os pais ou responsáveis pelo bagunceiro para se fazer um trabalho de parceria escola-pais do bagunceiro para que ele não manipule ninguém. O bagunceiro não fala a verdade sobre as suas ações aos seus pais que geralmente nem sabem o que seu filho anda aprontando. Falo sobre esta parceria no meu mais recente livro “Pais e Educadores de Alta Performance”.
Enquanto o bagunceiro não arcar com as conseqüências provocadas pelas suas ações, ele não encontra motivos para mudar estes comportamentos.


Içami Tiba

Içami Tiba é psiquiatra e educador. Escreveu "Família de Alta Performance", "Quem Ama, Educa!" e mais 26 livros.


Fonte: http://educacao.uol.com.br/colunas/icami_tiba/2011/07/12/alunos-bagunceiros.jhtm

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Escola combina sucata e tecnologia para facilitar o bom aprendizado do aluno

Aluno com materiais recicláveisMateriais baratos e sucata juntamente com modernos recursos tecnológicos são utilizados, sem preconceito, pelos professores da Escola Estadual de Educação Profissional Adelino Cunha Alcântara, no município cearense de São Gonçalo do Amarante, a cerca de 60 quilômetros de Fortaleza (CE). Para a participação na Olimpíada Brasileira de Foguetes, por exemplo, canos, barras de ferro e pedaços de madeira foram utilizados para a construção da base de lançamento. Já os foguetes foram feitos de garrafa pet e papelão.


Alunos utilizam garrafas pet para fazer experiência de química “Até mesmo um pincel ou uma moeda podem se transformar em experimentos. Contudo, priorizo sempre o que pode ser um maior facilitador da aprendizagem”, assegura o professor de Física, Caniggia Carneiro Pereira, que também é o responsável, na escola, pela participação na Olimpíada Brasileira de Física (OBF), na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), além da Olimpíada Brasileira de Foguetes. Segundo ele, como a física estuda tudo o que acontece no universo, não é difícil encontrar exemplos e materiais para utilizar nas aulas. Para o professor, que está concluindo licenciatura plena em Física na Universidade Federal do Ceará (UFC), os vídeos também são boas estratégias para trazer novos conhecimentos aos alunos, sejam eles documentários ou pequenos vídeos da internet. Ele também utiliza apresentações em slides. “Elas permitem que eu possa inserir com mais facilidade imagens, animações e outros recursos tecnológicos nas aulas”, diz Cannigia. Em sua opinião, as animações e simulações são recursos muito ricos, pois aliam interatividade e conhecimento, estimulando a aprendizagem e motivando os alunos.


Em suas aulas, Cannigia também aproveita os benefícios das novas tecnologias. Para ele, os recursos computacionais permitem a análise de situações mais complexas que são difíceis de serem reproduzidas na sala de aula ou no laboratório. Assim, ao planejar uma aula sobre gravidade e gravitação, sobre os efeitos da gravidade no comportamento dos corpos, especialmente dos planetas, utilizou recursos como o Applet Laboratório de Força Gravitacional, onde os alunos puderam visualizar a proporcionalidade entre a força da gravidade e a massa e distância entre dois corpos. Na mesma aula, os estudantes tiveram a oportunidade de manipular a simulação Gravity Car – um carrinho com gravidade aumentada que atrai os corpos por onde passa.


Outro recurso usado nessa mesma ocasião foi o My Solar System, para que os alunos montassem seu próprio Sistema Solar. A partir de mudanças introduzidas nos valores das massas e velocidades dos corpos, eles conseguiram padrões de sistemas bem diferentes, com estrelas duplas e choques planetários, entre outros efeitos. “Foi muito interessante ver a satisfação deles em criar sua própria realidade virtual”, salienta o professor.


De acordo com a coordenadora pedagógica, Nakeida Cristina de Castro Costa, 20 anos de magistério, a Adelino Cunha Alcântara é uma escola que se destaca na comunidade, graças a alguns pontos. Um deles é o fato de a instituição oferecer aulas diferenciadas, onde os professores utilizam recursos didáticos variados, tais como música, teatro, internet, blogs, aulas de campo, visitas técnicas, seminários e feiras de ciências, entre outros.


Segundo Nakeida, as aulas de Química são equilibradas entre teoria e prática, com aulas no laboratório de ciências, utilizando material reciclado. Ela explica que, em comemoração ao Ano Internacional da Química, o professor Francisco Sá vem desenvolvendo atividades lúdicas e de pesquisa, interdisciplinares, por meio da construção de paródias, jogos e dinâmicas para socializar o aprendizado da disciplina. Já nas aulas de Língua Portuguesa, há uma integração entre os ambientes de aprendizagem da biblioteca e do laboratório escolar de informática: os estudantes fazem a leitura de clássicos da literatura e constroem material de divulgação em mídias como resenhas e slides.


Fonte: Envolverde / Portal do Professor

Escola conecta alunos com a tecnologia e o futuro

Com horário integral, instituição de ensino médio no Rio prepara alunos para trabalhar com games, mídias digitais e conteúdo multimídia

Alunas do Nave utilizam equipamentos eletrônicos no intervalo das aulas

Foto: George Magaraia

Imagine uma escola pública montada para oferecer um modelo tecnológico de educação. Nela, os estudantes encontram salas de aula informatizadas, computadores de última geração, internet de alta velocidade e vídeo games, como Playstation e X-Box, disponíveis para serem usados nos intervalos. Ao contrário do que muitos poderão pensar, ela não está localizada nos Estados Unidos ou em um país europeu. A descrição se refere ao Núcleo Avançado em Educação (Nave), situado no bairro da Tijuca, zona norte do Rio.


Construída em um prédio de quatro andares onde funcionava uma estação telefônica, a escola surgiu em 2008 através de uma parceria público-privada entre a Secretaria Estadual de Educação do Rio e o Oi Futuro, instituto de responsabilidade social da Oi. Decorado com painéis hi-tech, cores vibrantes e pufes, o Nave foi criado para ser um pólo de referência em educação digital.

Como quase todos adolescentes, os 420 alunos de ensino médio da escola estão intensamente conectados ao mundo digital em que vivem. São aficionados por gadgets, têm perfis em redes sociais, ouvem músicas em tocadores digitais e descobrem em poucos dias os truques para “zerar” os novos lançamentos do mercado de games. A diferença é que, além de usuários, eles são preparados para trabalhar nesses mercados cada vez maiores.


Consoles de Playstation e X-Box ficam à disposição dos alunos no Nave

Foto: George Magaraia

Com uma grade curricular de horário integral, o Nave tem, além das disciplinas tradicionais, três opções de cursos técnicos: programação de games, roteiros para mídias digitais e geração de conteúdo multimídia. No primeiro ano, eles cursam matérias comuns aos três cursos. A partir do segundo ano, já seguem a carreira que optaram.


“O Nave surgiu para ser uma escola com excelência de ensino e um toque de tecnologia misturado à pedagogia. Unimos educação com o mundo que os adolescentes adoram”, diz o vice-presidente do Oi Futuro, George Moraes.


Para estudar no Nave, é obrigatório que o adolescente tenha cursado o 9° ano do Ensino Fundamental em uma escola pública. As inscrições são abertas no final do ano e os candidatos fazem provas de português, matemática e raciocínio lógico. Os 140 candidatos mais bem colocados são chamados para realizar a matrícula.


Alunas brincam em instalação futurística do Nave

Foto: George Magaraia


Futuro
Em seu primeiro ano na escola, Ana Carolina Ballero, de 15 anos, conta que ainda está se acostumando com as novidades. No Nave, por exemplo, ela leva o dever de casa em um pen drive que recebeu ao se matricular. “É tudo muito diferente da minha antiga realidade. Você vê computadores por toda parte. Na escola municipal onde estudava não tinha aula de informática. Meus amigos não acreditam quando digo que aqui é assim”, relata.


Para desenvolvimento das atividades curriculares, a escola tem um moderno laboratório de informática com computadores da Apple. Há ainda à disposição dos estudantes um estúdio de som e TV de fazer inveja a muitas faculdades de comunicação.


“O mais difícil para os alunos é romper com algumas estruturas de pensamento. Apesar de viverem neste mundo em rede, muitas vezes, na hora da produção, o pensamento deles ainda é muito linear. Nosso objetivo é quebrar isso, ajudá-los a terem boas ideias e a estruturá-las”, diz Tiago Dardeau, coordenador do curso de roteiros para mídias digitais.



César Henrique da Silva se inspira em Mark Zuckberg. "Quero chegar aonde ele chegou"

Foto: George Magaraia

Aluna do 2° ano, Gisele Lima, de 15 anos, conta que já começa a enxergar o mundo de outra forma. “Dia desses, olhei para a sapatilha da professora de biologia e comecei a pensar em módulos de interface. Acabamos aplicando o que aprendemos no nosso dia-a-dia. Meus amigos que não estudam aqui às vezes ficam assustados com isso”, brinca a aluna do curso de multimídia.
Quando chegam ao 3º ano, os alunos devem montar um projeto que gere lucro. César Henrique da Silva, de 18 anos, do curso de programação de games, está desenvolvendo sua ideia. Para alcançar o sucesso, ele já escolheu seu inspirador: Mark Zuckberg, o polêmico criador do Facebook, site originado nos tempos de faculdade. “Acho que todos os alunos querem chegar aonde ele chegou. A escola te prepara para isso, para você inventar algo novo”, finaliza o adolescente.
Fonte:  http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/escola+conecta+alunos+com+a+tecnologia+e+o+futuro/n1597022484903.html 

terça-feira, 12 de julho de 2011

Crianças usam bolsas feitas de material reutilizado


Banners antigos são usados na fabricação de bolsas que os alunos usam para proteger os livros da biblioteca. Em outro projeto, crianças plantam mudas de árvores para ter sombra para brincar.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Município cearense universaliza programa de tempo integral sem gastar muito


O município de Eusébio (CE) adotou o tempo integral  Foto: João Luis

EUSÉBIO(CE). Sair para trabalhar ao lado dos filhos virou motivo de satisfação para a professora Lislene Pires dos Santos, da Escola de Ensino Infantil e Fundamental Otoni Sá, em Eusébio, região metropolitana de Fortaleza. Lislene atende crianças com necessidades especiais. Ao mesmo tempo, fica de olho nos filhos de 7 e 10 anos, alunos em tempo integral na mesma escola.


Eusébio foi o único município cearense a universalizar o programa do tempo integral nas 35 unidades da rede municipal, desde o ano passado. Até ultrapassou a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) que prevê a implantação desse regime em 50% das escolas públicas de educação básica só em 2020. Ao todo, são beneficiados 3.500 alunos do berçário ao 9 ano, num universo de 13.500 matrículas.


A jornada vai das 7h às 17h. Em um turno há disciplinas curriculares. No outro, esporte, informática e oficinas de Português, Inglês, Matemática, artes, crochê, renda e tear. O artesanato é vendido na comunidade e o dinheiro, usado para comprar matéria-prima. Na escola, os alunos fazem o dever de casa, chamado de tarefa orientada.


Em todas as escolas foi instituído o almoço pedagógico. Os "bandejões" e utensílios de plástico foram abolidos. Cada criança, a partir dos 6 anos, serve-se sozinha e come em prato de louça, com copo de vidro e talher inoxidável. O receio de que os objetos virassem armas deu lugar ao orgulho de ver as crianças comendo com educação. Garfo e faca não intimidam mais Artur de Oliveira Saraiva, de 6 anos que, diferentemente dos pais, não usa só colher. O almoço pedagógico surgiu quando a secretária municipal de Educação, Marta Cordeiro, viu, num shopping de Fortaleza, um garçom rindo de uma família que pediu colheres para comer.


- Prometi que nunca nossas crianças iriam passar por aquela humilhação.


Comida tem à vontade e ninguém precisa disfarçar o apetite. No começo, os olhos eram maiores que a barriga. Ao todo, fazem três refeições na escola.


- O que eu gosto mais é da comida e de dormir - disse Fransley Rodrigues Silva, de 11 anos, aluno da 4 série.


A sesta é outra decisão compartilhada pelas escolas. As professoras perceberam que a falta do descanso prejudicava as atividades depois do almoço. Durante uma hora, as salas são transformadas em dormitórios, com os alunos separados por faixa etária e sexo. Para a secretária de Educação do município, universalizar o tempo integral não é bicho de sete cabeças, e um passo é fundamental: sensibilizar a comunidade escolar e os pais dos alunos.


- Sei que todo sonho de educador vira pesadelo muito cedo. Mas aqui resolvemos sonhar juntos - diz Marta.


A experiência derrubou o mito de que o programa requer investimento alto e grandes obras. As escolas sofreram apenas algumas adaptações. Salas usadas pela administração foram cedidas para outras atividades. Eusébio investe de 28% a 30% do orçamento em Educação, enquanto a lei determina 25%. 


A escola com que eu sonho: a educação transforma


RIO - Quero uma escola pública de qualidade, e isso passa pela valorização e pela respeitabilidade dos profissionais de educação. Escola, para mim, é espaço de construção do conhecimento, mas como um professor que recebe R$ 500, R$ 700 e tem que ter várias turmas para se manter consegue pensar numa estratégia de aprendizado crítica, reflexiva, prazerosa, inovadora? Quero uma escola aberta à comunidade, pois isso contribuiria para despertar a importância de manter as crianças em sala de aula. Hoje, muitas famílias não valorizam a educação. As pessoas pensam: vou aprender para quê? Por isso, temos um desafio: educar os jovens que vivem no século 21. O fazer pedagógico deve ser ajustado às novas realidades. Não quero uma escola onde isso não exista, mas ainda convivemos com falta de material, de transporte para levar os alunos, com salas de aula em péssimas condições, com educadores que não conseguem estudar, não conseguem nem receber pessoas para discutir novas práticas de educação. Acredito que a educação transforma. A escola que eu quero não existe, mas é possível.
Wânia Balassiano é professora de história no ensino médio

Fonte:  http://moglobo.globo.com/integra.asp?txtUrl=/pais/mat/2011/06/19/municipio-cearense-universaliza-programa-de-tempo-integral-sem-gastar-muito-924722522.asp

quinta-feira, 16 de junho de 2011