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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Escola conecta alunos com a tecnologia e o futuro

Com horário integral, instituição de ensino médio no Rio prepara alunos para trabalhar com games, mídias digitais e conteúdo multimídia

Alunas do Nave utilizam equipamentos eletrônicos no intervalo das aulas

Foto: George Magaraia

Imagine uma escola pública montada para oferecer um modelo tecnológico de educação. Nela, os estudantes encontram salas de aula informatizadas, computadores de última geração, internet de alta velocidade e vídeo games, como Playstation e X-Box, disponíveis para serem usados nos intervalos. Ao contrário do que muitos poderão pensar, ela não está localizada nos Estados Unidos ou em um país europeu. A descrição se refere ao Núcleo Avançado em Educação (Nave), situado no bairro da Tijuca, zona norte do Rio.


Construída em um prédio de quatro andares onde funcionava uma estação telefônica, a escola surgiu em 2008 através de uma parceria público-privada entre a Secretaria Estadual de Educação do Rio e o Oi Futuro, instituto de responsabilidade social da Oi. Decorado com painéis hi-tech, cores vibrantes e pufes, o Nave foi criado para ser um pólo de referência em educação digital.

Como quase todos adolescentes, os 420 alunos de ensino médio da escola estão intensamente conectados ao mundo digital em que vivem. São aficionados por gadgets, têm perfis em redes sociais, ouvem músicas em tocadores digitais e descobrem em poucos dias os truques para “zerar” os novos lançamentos do mercado de games. A diferença é que, além de usuários, eles são preparados para trabalhar nesses mercados cada vez maiores.


Consoles de Playstation e X-Box ficam à disposição dos alunos no Nave

Foto: George Magaraia

Com uma grade curricular de horário integral, o Nave tem, além das disciplinas tradicionais, três opções de cursos técnicos: programação de games, roteiros para mídias digitais e geração de conteúdo multimídia. No primeiro ano, eles cursam matérias comuns aos três cursos. A partir do segundo ano, já seguem a carreira que optaram.


“O Nave surgiu para ser uma escola com excelência de ensino e um toque de tecnologia misturado à pedagogia. Unimos educação com o mundo que os adolescentes adoram”, diz o vice-presidente do Oi Futuro, George Moraes.


Para estudar no Nave, é obrigatório que o adolescente tenha cursado o 9° ano do Ensino Fundamental em uma escola pública. As inscrições são abertas no final do ano e os candidatos fazem provas de português, matemática e raciocínio lógico. Os 140 candidatos mais bem colocados são chamados para realizar a matrícula.


Alunas brincam em instalação futurística do Nave

Foto: George Magaraia


Futuro
Em seu primeiro ano na escola, Ana Carolina Ballero, de 15 anos, conta que ainda está se acostumando com as novidades. No Nave, por exemplo, ela leva o dever de casa em um pen drive que recebeu ao se matricular. “É tudo muito diferente da minha antiga realidade. Você vê computadores por toda parte. Na escola municipal onde estudava não tinha aula de informática. Meus amigos não acreditam quando digo que aqui é assim”, relata.


Para desenvolvimento das atividades curriculares, a escola tem um moderno laboratório de informática com computadores da Apple. Há ainda à disposição dos estudantes um estúdio de som e TV de fazer inveja a muitas faculdades de comunicação.


“O mais difícil para os alunos é romper com algumas estruturas de pensamento. Apesar de viverem neste mundo em rede, muitas vezes, na hora da produção, o pensamento deles ainda é muito linear. Nosso objetivo é quebrar isso, ajudá-los a terem boas ideias e a estruturá-las”, diz Tiago Dardeau, coordenador do curso de roteiros para mídias digitais.



César Henrique da Silva se inspira em Mark Zuckberg. "Quero chegar aonde ele chegou"

Foto: George Magaraia

Aluna do 2° ano, Gisele Lima, de 15 anos, conta que já começa a enxergar o mundo de outra forma. “Dia desses, olhei para a sapatilha da professora de biologia e comecei a pensar em módulos de interface. Acabamos aplicando o que aprendemos no nosso dia-a-dia. Meus amigos que não estudam aqui às vezes ficam assustados com isso”, brinca a aluna do curso de multimídia.
Quando chegam ao 3º ano, os alunos devem montar um projeto que gere lucro. César Henrique da Silva, de 18 anos, do curso de programação de games, está desenvolvendo sua ideia. Para alcançar o sucesso, ele já escolheu seu inspirador: Mark Zuckberg, o polêmico criador do Facebook, site originado nos tempos de faculdade. “Acho que todos os alunos querem chegar aonde ele chegou. A escola te prepara para isso, para você inventar algo novo”, finaliza o adolescente.
Fonte:  http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/escola+conecta+alunos+com+a+tecnologia+e+o+futuro/n1597022484903.html 

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Município cearense universaliza programa de tempo integral sem gastar muito


O município de Eusébio (CE) adotou o tempo integral  Foto: João Luis

EUSÉBIO(CE). Sair para trabalhar ao lado dos filhos virou motivo de satisfação para a professora Lislene Pires dos Santos, da Escola de Ensino Infantil e Fundamental Otoni Sá, em Eusébio, região metropolitana de Fortaleza. Lislene atende crianças com necessidades especiais. Ao mesmo tempo, fica de olho nos filhos de 7 e 10 anos, alunos em tempo integral na mesma escola.


Eusébio foi o único município cearense a universalizar o programa do tempo integral nas 35 unidades da rede municipal, desde o ano passado. Até ultrapassou a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) que prevê a implantação desse regime em 50% das escolas públicas de educação básica só em 2020. Ao todo, são beneficiados 3.500 alunos do berçário ao 9 ano, num universo de 13.500 matrículas.


A jornada vai das 7h às 17h. Em um turno há disciplinas curriculares. No outro, esporte, informática e oficinas de Português, Inglês, Matemática, artes, crochê, renda e tear. O artesanato é vendido na comunidade e o dinheiro, usado para comprar matéria-prima. Na escola, os alunos fazem o dever de casa, chamado de tarefa orientada.


Em todas as escolas foi instituído o almoço pedagógico. Os "bandejões" e utensílios de plástico foram abolidos. Cada criança, a partir dos 6 anos, serve-se sozinha e come em prato de louça, com copo de vidro e talher inoxidável. O receio de que os objetos virassem armas deu lugar ao orgulho de ver as crianças comendo com educação. Garfo e faca não intimidam mais Artur de Oliveira Saraiva, de 6 anos que, diferentemente dos pais, não usa só colher. O almoço pedagógico surgiu quando a secretária municipal de Educação, Marta Cordeiro, viu, num shopping de Fortaleza, um garçom rindo de uma família que pediu colheres para comer.


- Prometi que nunca nossas crianças iriam passar por aquela humilhação.


Comida tem à vontade e ninguém precisa disfarçar o apetite. No começo, os olhos eram maiores que a barriga. Ao todo, fazem três refeições na escola.


- O que eu gosto mais é da comida e de dormir - disse Fransley Rodrigues Silva, de 11 anos, aluno da 4 série.


A sesta é outra decisão compartilhada pelas escolas. As professoras perceberam que a falta do descanso prejudicava as atividades depois do almoço. Durante uma hora, as salas são transformadas em dormitórios, com os alunos separados por faixa etária e sexo. Para a secretária de Educação do município, universalizar o tempo integral não é bicho de sete cabeças, e um passo é fundamental: sensibilizar a comunidade escolar e os pais dos alunos.


- Sei que todo sonho de educador vira pesadelo muito cedo. Mas aqui resolvemos sonhar juntos - diz Marta.


A experiência derrubou o mito de que o programa requer investimento alto e grandes obras. As escolas sofreram apenas algumas adaptações. Salas usadas pela administração foram cedidas para outras atividades. Eusébio investe de 28% a 30% do orçamento em Educação, enquanto a lei determina 25%. 


A escola com que eu sonho: a educação transforma


RIO - Quero uma escola pública de qualidade, e isso passa pela valorização e pela respeitabilidade dos profissionais de educação. Escola, para mim, é espaço de construção do conhecimento, mas como um professor que recebe R$ 500, R$ 700 e tem que ter várias turmas para se manter consegue pensar numa estratégia de aprendizado crítica, reflexiva, prazerosa, inovadora? Quero uma escola aberta à comunidade, pois isso contribuiria para despertar a importância de manter as crianças em sala de aula. Hoje, muitas famílias não valorizam a educação. As pessoas pensam: vou aprender para quê? Por isso, temos um desafio: educar os jovens que vivem no século 21. O fazer pedagógico deve ser ajustado às novas realidades. Não quero uma escola onde isso não exista, mas ainda convivemos com falta de material, de transporte para levar os alunos, com salas de aula em péssimas condições, com educadores que não conseguem estudar, não conseguem nem receber pessoas para discutir novas práticas de educação. Acredito que a educação transforma. A escola que eu quero não existe, mas é possível.
Wânia Balassiano é professora de história no ensino médio

Fonte:  http://moglobo.globo.com/integra.asp?txtUrl=/pais/mat/2011/06/19/municipio-cearense-universaliza-programa-de-tempo-integral-sem-gastar-muito-924722522.asp