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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O dizer "não" na educação

Por Içami Tiba

É muito comum os pais se queixarem que seus filhos não atendem aos nãos que eles lhes falam, ordenam, pedem, imploram ou mesmo quando  dão a entender...
Esta desobediência ao não dos pais é globalizada. Praticamente todas as crianças do planeta custam a obedecer os seus pais. Há exceções, que são raras, que confirmam a regra de que os filhos hoje estão desobedientes aos seus pais.
É bastante comum eu ouvir este lamento de mães dito com um grande desânimo: Meu filho não me obedece, grita comigo, faz só o que quer, me agride, me ofende... Então eu pergunto: Quantos anos ele tem?  Elas respondem: 2 anos!
Como pode uma criança de dois anos de idade tumultuar tanto a vida da sua mãe?
Digo com bastante convicção que é devido ao que o filho recebeu, como educação ou não, do que lhe aconteceu desde que nasceu. Raríssimos são os casos em que as crianças nascem desobedientes, como doenças psiquiátricas e graves transtornos psicológicos e de caráter. A maioria nasce absolutamente normal e vai se tornando inadequada ou deseducada aos poucos.
Um nenê que durma no colo para depois ser colocado no bercinho já começa um costume errado, pois lugar de dormir passa ser o colo e não o berço. Se, cada vez que acorda durante a noite, ele é pego no colo ele aprende que berço não é lugar para ele ficar, e passa a reivindicar a ficar no colo, onde irá adormecer. O nenê começa a formar a imagem de que só deve ir ao berço quando já estiver dormindo. Assim se ele for colocado no berço ainda acordado, ele se recusará a ficar no berço e criará mil desculpas próprias da idade para não ficar no berço. Sem dúvida é muito gostoso dormir no calor, no balanço e no afeto de um colo do que no bercinho. Não é natural no ser humano acordar em um lugar que ele não deitou.  Enquanto ele nada sabe, ele dorme em qualquer lugar, portanto ele após arrotar o que mamou deve ser colocado de lado no berço para dormir, por mais que os adultos queiram lhe dar colo. O nenê chorar no berço, gritar, dizer palavras incompreensíveis etc é uma defesa natural por preferir fazer o que aprendeu, dormir no colo. Ele já sabe que está lutando por um direito que ganhou dos pais que queriam muito mais agradá-lo do que não o educar. O nenê não está desrespeitando ninguém. São os adultos à sua volta que não souberam educá-lo a dormir sozinho no berço. Quem aprende dormir no colo não quer saber se naquela noite os pais não têm como dar-lhe colo. Ele luta para dormir no que já se acostumou: o colo.
Um ponto muito importante que todos os humanos deveriam saber é: “Ninguém sente falta do que não conhece, mas arca com suas consequências”.
Todos sabem que lugar do bebê dormir é no berço e não no colo, mas como a maioria não sabe que o local do bebê adormecer também deve ser no berço, arcam com as conseqüências de um bebê que acaba atrapalhando o sono dos pais e muitas vezes até separando os cônjuges. Amor é muito bom, mas não resolve este problema das noites mal dormidas de todos na família. Não é errando que se aprende, mas sim corrigindo o erro.
Assim também muitos nãos dos pais não são obedecidos principalmente pelos filhos:
  • que percebem que o não pode ser transformado em sim;
  • que nada lhe acontece se não obedecer ao não e continuar fazendo o que queria;
  • que os pais num dia dizem sim e noutro, não;
  • que basta questioná-los que eles deixam quando os pais não têm respostas;
  • que a boca diz não, mas os olhos dizem sim;
  • que a palavra diz não, mas todo o comportamento diz sim;
  • que o agora não se transforma em daqui a pouco pode.


Içami Tiba

Içami Tiba é psiquiatra e educador. Escreveu "Pais e Educadores de Alta Performance", "Quem Ama, Educa!" e mais 28 livros
Fonte:  http://educacao.uol.com.br/colunas/icami_tiba/2011/08/09/o-dizer-nao-na-educacao.jhtm

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ler - Luís Fernando Veríssimo

8 atitudes para ser um bom pai



Pai e filha: o toque reforça a presença e é essencial para o desenvolvimento da criança
O passar do tempo – e o movimento feminista iniciado na década de 1970 – trouxeram algumas mudanças no papel do pai. Os brasileiros que seguem o modelo dos “pais suecos”, por exemplo, provam que a criação dos filhos só pela mãe já não é mais absoluta. Mas, assim como a maternidade, a paternidade também tem suas características de adequação.

“Ainda temos resquícios de uma educação que nos ensinou que a responsável pelos filhos é a mãe”, diz a terapeuta familiar Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp). Mas, aos poucos, eles começam a deixar o papel de provedor exclusivo para serem participantes ativos na vida das crianças. “O termômetro é a reunião de pais e mestres nas escolas. Já existe uma participação muito maior dos pais hoje em dia”.

A educadora Cris Poli, também conhecida como a “Supernanny” brasileira e autora do livro “Pais Responsáveis Educam Juntos” (Mundo Cristão), concorda com a importância da participação dos pais na vida das crianças. Ela ressalta que, assim como não existe uma mãe ideal, tampouco existe um modelo de pai. Mas algumas dicas podem ajudar.

1. Participe ativamente – e com frequência

Participar só quando chega o boletim da escola não vale: é preciso se aproximar do cotidiano da criança. “O pai deve participar como quem vai dar o limite, quem vai estimular e elogiar, quem vai acompanhar a criança”, diz Quézia Bombonatto. Segundo ela, cinco minutos por dia já podem ser muito importantes para o desenvolvimento da relação de ambos. Mas não adianta pegar apenas um dia do mês e, de alguma forma, tentar “tirar o atraso”. A proximidade se constrói aos poucos e é importante para a criança sentir que pode confiar no pai e que está sendo valorizada. “É preciso, por exemplo, acompanhar o que está acontecendo na escola, e não somente perguntar quais notas ela tirou”. Transformar estes momentos em significado para a criança já é um bom começo.

2. Não confunda atenção afetiva com atenção material

Ao testemunhar um mau comportamento dos filhos, muitos pais se queixam dizendo “Mas não está faltando nada para ele”. Não está faltando nada mesmo? Carinho não pode ser trocado por presentes. “A presença é muito importante”, diz Quézia. Se envolver com os filhos não se resume a levar um chocolate no final do dia, ao voltar do trabalho.

3. Seja carinhoso

Muitos pais confundem masculinidade com falta de afeto e evitam beijar e abraçar a criança. Essa falta não pode ser excessiva: o pai pode e deve mostrar o amor que sente pelo filho. Segundo Cris Poli, é preciso haver uma interação física com a criança também durante as brincadeiras. Às vezes o pai prefere não brincar de boneca com as filhas, por exemplo, por ficar constrangido, mas é preciso se adaptar. E fazer brincadeiras com interação mais pessoal – ficar somente no computador e no videogame não é uma solução. A criança precisa de afeto.

4. Não seja autoritário, mas tenha autoridade

Muitos homens confundem autoritarismo com masculinidade e se tornam pais que se impõe por meio do berro e da ameaça. Para o psicanalista Rubens de Aguiar Maciel, especialista em desenvolvimento humano e paternidade, os pais devem evitar a imposição de regra pela regra. “É muito prejudicial as crianças serem obrigadas a fazer isso ou aquilo porque o pai mandou, sem que haja alguma explicação maior”, diz. A autoridade fica superficial, pois aquela ordem não faz nenhum sentido para a criança.
Para Cris Poli, pais com perfil autoritário impedem a criança de expressar sentimentos e pensamentos com facilidade, pois ela não se sente respeitada. “Se um pai é autoritário e se impõe pela força e pelo medo, acaba inibindo a criança. Ela pode crescer mais tímida e introvertida, com dificuldade para se expressar”, diz. Limites devem ser construídos – e não impostos.

5. Não seja excessivamente permissivo

Na contramão dos pais autoritários estão os pais permissivos. Embora afetuosos, eles não se dispõem a estabelecer limites para os filhos. E terminam sendo ausentes. Segundo Cris Poli, os pais demasiadamente permissivos deixam de se posicionar e preferem deixar o filho fazer tudo o que quer. “É aquele pai que costuma dizer: ‘vê com a sua mãe’ e nunca toma as decisões”, diz a “Supernanny”.

6. Se posicione como pai

Para Cris Poli, o erro mais recorrente dos pais é não tomar uma postura em relação à educação dos filhos. “A ausência, a falta de posicionamento e de autoridade são uma carência muito forte”, diz ela. Essa regra vale não só para a hora de tomar decisões, mas também para os afazeres miúdos e os cuidados do dia a dia, como o banho, a comida e as brincadeiras. Até porque as modalidades de diversão e aprendizagem da mãe costumam ser diferentes da do pai. “O lúdico é importante e deve vir dos dois”, defende Quézia.

7. Exija seu espaço

De acordo com a psicóloga Camila Guedes Henn, do Núcleo de Infância e Família (NUDIF) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a mãe também deve dar espaço para a entrada do pai na vida dos filhos. “Às vezes elas não acreditam muito na capacidade do pai de cuidar da criança, e é algo que não pode acontecer”, diz. A figura masculina também é importante e deve atuar em colaboração com a mãe, trocando opiniões sem que um desautorize o outro.



Brincadeiras reforçam o vínculo entre pais e filhos

8. Seja um bom cidadão

Um bom pai é também um bom marido e um bom cidadão. De acordo com o psicanalista Rubens de Aguiar Maciel, todo o ambiente ao redor da criança influencia na formação dela e a figura do pai também conta. Para os filhos crescerem da melhor maneira possível, portanto, os pais devem ser maduros emocionalmente. “O homem e a mulher precisam saber quais são os próprios valores diante de uma sociedade que muitas vezes os leva a conhecer pouco sobre si mesmos e a serem competitivos e consumistas”, resume ele. “Para ser um bom pai é preciso procurar, antes, ser um bom ser humano”, completa.
Fonte: http://delas.ig.com.br/filhos/educacao/8-atitudes-para-ser-um-bom-pai/n1597212541168.html

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Cresce o hábito da leitura


A criança e o adolescente brasileiros estão lendo mais. Esse foi o diagnóstico traçado na quarta-feira (8) no 2.º Encontro Nacional do Varejo do Livro Infantil e Juvenil, realizado dentro do 13.º Salão Nacional do Livro Infantil e Juvenil, no Rio de Janeiro. De acordo com pesquisa divulgada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), do total de 12 mil títulos novos lançados no país em 2010, cerca de 2,5 mil foram direcionados a crianças e adolescentes. “A própria produção é uma comprovação de que as nossas crianças e jovens estão lendo mais”, afirmou à Agência Brasil a diretora da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, Ísis Valéria Gomes.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

''Ao mestre, com carinho'' versão atual

Quando um professor que faz a diferença está em sala, o impacto no desempenho dos alunos pode surpreender 

Um bom começo para o desafio de oferecer uma educação de qualidade está, diariamente, diante da turma. Um professor dedicado, que sabe motivar os alunos, tem um impacto determinante no desempenho dos estudantes, como mostra a análise de 165 estudos nacionais e internacionais, coordenada pelo pesquisador Ricardo Paes de Barros.

Investir em infraestrutura e novas tecnologias, portanto, pode até ser um caminho para cumprir metas que, campanha após campanha, dominam o discurso dos candidatos. Mas, para a realização das promessas repetidas, é preciso também apostar naquele que pode fazer uma diferença significativa, como mostra o filme "Ao mestre, com carinho", de James Clavell, de 1967.

Para reconhecer o valor do mestre, a ONG Todos pela Educação lançou este ano a campanha "Um bom professor, um bom começo". "Precisamos de políticas para a formação e planos de carreira", ressalta Priscila Cruz, diretora-executiva da organização, lembrando que a lembrança de um grande educador a gente leva para o resto da vida.

Waldilene, em Cidade de Deus, vira Emília para ensinar a ler
A segunda visita da boneca Emília à turma 1102 do Ciep Luiz Carlos Prestes, na Cidade de Deus, já não causou tanto espanto. Mas a felicidade da criançada, alunos pobres na faixa dos 6 anos, foi a mesma da estreia. Alguns, emocionados, arriscaram um palpite:

- É a tia Waldilene.
A boneca negou. E com razão. Depois de se vestir com a fantasia que ela mesmo fez, de se maquiar e de ajeitar a peruca, a professora Waldilene Regina Nascimento e Sousa, de 35 anos, se transfigura no personagem de Monteiro Lobato. Sua voz, seus trejeitos e sua desenvoltura fariam inveja à lendária atriz Dirce Migliaccio.
Apesar do talento cênico, que vence a timidez, a pretensão da Emília do "Brizolão do Pantanal", nome popular daquele Ciep, é outra: ensinar de forma lúdica. E a boneca não perde tempo. Depois de cantar a música da Emília, cita o conto "No reino das águas claras" para explicar aos seus 30 alunos de primeiro ano como é importante não jogar lixo nos rios, mantendo-os limpos e afastando o risco de enchentes.
Eram 11h e Waldilene teria ainda mais cinco horas e meia de atividades até completar mais uma jornada diária. Quase tudo ali conspira contra o bom humor da professora. O Ciep está em uma das áreas mais pobres da Cidade de Deus, onde parte dos barracos foi demolida devido ao risco de desmoronamento. Parte da turma vem de famílias desestruturadas. Algumas têm pais viciados em cocaína e crack, envolvidos com o tráfico de drogas.
Cercada de prateleiras coloridas por objetos diversos, cartazes e avisos criativos, como um que imita uma placa de trânsito para proibir a presença de piolhos, a sala de Waldilene só não é uma ilha da fantasia para a criançada porque ali a educação é real. Num país em que manter a atenção dos alunos da rede pública ainda é um desafio, ela dá lições de criatividade para manter os alunos de olhos vidrados.
Naquele dia, antes de virar Emília, ela contava aos alunos a história de Iara, a sereia, numa atividade sobre figuras folclóricas. Dandara Cristina dos Santos, de 6 anos, de tão ligada na narrativa, ficou de pé para ver melhor o desenho dos homens enfeitiçados pela sereia.
- Que bobões, né? - brincou a professora.
Se a agitação aumenta, Waldilene endurece, mas sem perder a ternura:
- Bumbunzinho no chão. Fecha a matraquinha. Se continuar, vou por o chapéu da bruxa - ameaça.
Com um ano e meio de magistério, aprovada pelo concurso de 2008, Waldilene trocou o emprego num projeto de educação à distância pela rede pública, em busca de estabilidade. Esperava ter dificuldades com a criançada, mas, agora, com o estímulo da direção do colégio, tomou gosto pela sala de aula.
Ela diz que a principal estratégia para vencer a desatenção é usar os próprios elementos presentes na vida dos alunos, principalmente as músicas, para ensinar.
- Outro dia, eles chegaram aqui cantando um funk dos Havaianos, banda daqui. Aprendi a música para cantar com eles, ensinando os fonemas. Deu certo.
Já a boneca Emília nasceu numa sala de leitura. Uma das alunas chegou a chorar de emoção. Paraense, agora está ensinando a turma a dançar o carimbó. Ela mesma comprou os tecidos e costurou as saias das alunas.

Roberta, em Nova Iguaçu, ensina Libras para alunos ouvintes 
Roberta Dutra apostou em uma forma inusitada de abordar a inclusão, motivar os alunos e reduzir a indisciplina em sala de aula. Três alunos da Escola Municipal professora Edna Umbelina de Sant"anna, em Nova Iguaçu, acabam de fazer uma apresentação diante dos colegas de sala.

O trio é aplaudido, mas, curiosamente, ninguém ouve som de palmas. É que ali, todos os dias, por dez minutos, o gesto de elogio é expressado de uma forma diferente: não há batida, apenas um agitar de mãos, posicionadas acima da cabeça.
Embora seja uma turma de 5º ano de uma Escola de ensino regular, e nenhum aluno tenha dificuldade de audição, o grupo está aprendendo a Língua Brasileira de Sinais (Libras), principal forma de comunicação de pessoas com surdez.

À primeira vista, a iniciativa pode causar estranhamento, mas basta acompanhar uma aula para constatar que a novidade prende a atenção da turma, de cerca de 30 alunos.

- Comecei a ensinar Libras para despertar nos alunos a valorização pela diferença em sala de aula. São apenas dez minutos por dia, mas têm feito diferença - diz a professora Roberta Dutra, 35 anos, formada em Letras com pós-graduação em Educação Inclusiva.

Após concluir um curso de Libras, em 2007, ela pensou que poderia ser interessante usar a língua de sinais para introduzir o tema da inclusão e reduzir a dispersão dos alunos.

- A Libras suscita a sensibilidade e a solidariedade, pois faz despertar para a história de vida do outro. E melhora a concentração, já que os sinais são muito parecidos. Imaginei que isso poderia ajudar contra a indisciplina - conta ela.

O ciclo do respeito que nasce em sala de aula 
Engana-se quem pensa que o projeto ensina só o alfabeto. Roberta, que dá aula há 16 anos, explora outros conteúdos, como verbos.

Para apresentá-los, lança mão de formas lúdicas e atrativas, investindo em jogos da memória, quebra-cabeças e desenhos, que nascem das mãos dedicadas da educadora, com participação dos alunos. E usa ainda DVDs e CDs do Instituto Nacional de Surdos (Ines).

Segundo Lúcia Helena Cardoso, diretora da Escola, que tem 690 alunos, da Educaçãoinfantil ao 5º ano do ensino fundamental, houve melhoria no comportamento dos alunos.

- É um ciclo: se você respeita na classe, você respeita no refeitório, na rua, em casa.

Que o diga Sara da Silva do Rosário, 10 anos. Ela entrou na Edna Umbelina no 1º ano, mas ainda sente saudade de Macaé, onde morava. Ressalta, porém, que prefere a professora atual. - Ela não grita com a gente, não bate na mesa -- justifica.
Divididos em grupos, os alunos explicam o que já aprenderam. Diante de dezenas de cartas onde vislumbro apenas sinais do alfabeto, Emanuel Pereira, 11 anos, esclarece:

- Aqui há vários exemplos de configuração de mãos - ensina, mostrando sinais que expressam ações e sentimentos.

A diretora desconhece se o projeto ajudou a melhorar os indicadores da Escola - o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para as séries iniciais subiu de 4,1 (em 2007) para 4,9 (em 2009), valor maior do que o encontrado para o Brasil, o Rio e Nova Iguaçu -, mas garante:

- Tentamos contagiar a todos. Fizemos até um curso de Libras na Escola, ofertado também para zeladores e funcionários da cozinha e da portaria.

Embora saiba quão difícil pode ser promover a inclusão em sala de aula, Roberta diz:  - Não dá para só lamentar. É impossível levar adiante se não tentarmos mudar a situação.
Fonte: Jornal O Globo

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A desmotivação para os estudos é normal?


Desmotivação para os estudos é normal? Sim, mas é preciso identificar suas causas: se ela ocorre após as refeições, um cochilo rápido pode resolver, por exemplo. Devemos entender o que é isso e como podemos resolvê-la da melhor maneira possível.

Leo Fraiman responde perguntas dos internautas todas as semanas; quer mandar sua dúvida? Basta deixá-la como comentário neste grupo de discussão. Veja todos os vídeos com Leo Fraiman.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Por que há alunos bagunceiros nas escolas?

Por Içami Tiba

Aluno bagunceiro em sala de aula é o que perturba o andamento da aula, prejudicando a aprendizagem - não só a própria como a dos outros colegas. Não vou listar aqui as bagunças mais comuns ou até mesmo as especiais para não estimular o leitor a ser mais um bagunceiro e nem para alimentar a turma da bagunça.  
A bagunça é contagiante. A imitação é um forte componente do aprendizado infantil e juvenil, assim como é a necessidade de pertencer a um grupo. Existe um vínculo entre os enturmados que favorece com que um imite o outro. O grupo, ou turma, reforça o comportamento de um bagunceiro por dois motivos: sensações de prazer e de pertencimento. Em geral é a de pertencimento que gera a idéia: o que um faz, todos fazem.
Geralmente um aluno faz bagunça quando se sente respaldado pelo seu grupo. Raramente quem se sente isolado, fragilizado ou rejeitado faz bagunça a não ser para ser aceito pela “turma dos bagunceiros”.   
As bagunças podem ter várias origens:
  1. A aula é muito parada, enfadonha e sonífera. A bagunça pode ser até um movimento de vida dos alunos. Raramente os alunos aprendem com este clima. Eles gostam de participação, movimentos, novidades, desafios, não perder tempo etc.;
  2. O bagunceiro quer interromper algo que não está gostando. O aluno tem dificuldades em fazer algo que não gosta, que não entende, que não vê o significado do aprendizado;
  3. O bagunceiro não tem educação relacional, não sabe se comportar em grupo, só pensa em si mesmo, sem levar em consideração os interesses alheios;
  4.  O bagunceiro não consegue ficar parado e atento às aulas por ser muito agitado, disperso, desinteressado;
  5. O bagunceiro não aceita regras, quer impor o seu modo de ser às pessoas;
  6. O bagunceiro sente-se suficientemente forte para enfrentar professores ou qualquer outra autoridade docente;
  7. O bagunceiro não tem interesse em que a aula progrida e passa a fazer tudo para atrapalhar o professor;
  8. O bagunceiro não quer estudar, vai forçado para a escola, não gosta de nenhum professor e faz questão de agredi-lo, mesmo durante as aulas;
  9. O aluno necessita ser notado e valorizado de qualquer maneira, mesmo que seja fazendo bagunças;
  10. Todo aluno quer primeiro se enturmar e já na turma quer se sobressair seja no que for, inclusive nas bagunças etc.
 
Uma das melhores maneiras do professor lidar com as bagunças é tomar alguma atitude que seja mais interessante para todos os alunos da sala, inclusive o bagunceiro, desde que elas (bagunças) não causem danos materiais, transgressões às regras internas e externas à sala de aula, contravenções às leis, ferimentos físicos e sofrimentos psicológicos e/ou outros constrangimentos seja a quem for, paralisias, distorções e/ou prejuízos do bom funcionamento seja do que for.
Há bagunças que não são possíveis ser resolvidas no âmbito escolar. A estas, é preciso que a escola convoque os pais ou responsáveis pelo bagunceiro para se fazer um trabalho de parceria escola-pais do bagunceiro para que ele não manipule ninguém. O bagunceiro não fala a verdade sobre as suas ações aos seus pais que geralmente nem sabem o que seu filho anda aprontando. Falo sobre esta parceria no meu mais recente livro “Pais e Educadores de Alta Performance”.
Enquanto o bagunceiro não arcar com as conseqüências provocadas pelas suas ações, ele não encontra motivos para mudar estes comportamentos.


Içami Tiba

Içami Tiba é psiquiatra e educador. Escreveu "Família de Alta Performance", "Quem Ama, Educa!" e mais 26 livros.


Fonte: http://educacao.uol.com.br/colunas/icami_tiba/2011/07/12/alunos-bagunceiros.jhtm

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A lição do menino milionário


Um garoto inglês fez um trabalho escolar para resolver um problema comum: saber quem está tocando a campainha de sua casa mesmo que a pessoa esteja fora. Solução: a campainha aciona o celular (o detalhamento está no www.catracalivre.com.br). A invenção ganhou vida, o produto vai ser comercializado em setembro próximo --e o garoto até o próximo ano, a julgar pelas encomendas, será um dos milionários mais novos do mundo.
Esse é um bom jeito de se encarar o futuro da educação. Há cada vez mais acesso a informação fora da escola, que não consegue acompanhar o ritmo das descobertas. A maioria dos professores se sente intimidada com o ritmo do conhecimento, distanciando-se dos seus alunos.
Além disso, as novas gerações aprendem coisas na base da tentativa e erro. Uma experiência na Índia (também detalhada no Catraca Livre) mostra bem isso: deixaram o computador livre numa área da escola, sem nenhum professor ou tutor. Logo se viu como os meninos e meninas aprendiam sozinhas.
Vejo aqui em Harvard, uma usina de quase adolescentes que viram milionários com seus projetos (pessoal do Facebook, por exemplo). Muita gente nem espera acabar o curso porque já está criando uma empresa. Dois exemplos: Bill Gates e Steve Jobs.
Saber como responder a essa velocidade é um dos maiores desafios da educação. A resposta para mim passa pelo seguinte: a escola é parte da resposta. O essencial é que o jovem viva numa comunidade de aprendizagem em que possa experimentar e aprender em diferentes lugares.
Portanto, um dos mais importantes papéis da escola, além de ajudar o estudante a se guiar pelas possibilidades de aprendizagem nos mais diferentes lugares (a começar dos virtuais) é desenvolver o prazer do empreendedorismo.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gilbertodimenstein/927514-a-licao-do-menino-milionario.shtml





Gilberto Dimenstein
Gilberto Dimenstein, 53 anos, é membro do Conselho Editorial da Folhae criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha.com às segundas-feiras.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Internet desperta para o prazer de ler, diz pedagoga

Suzane G. Frutuoso - Jornal da Tarde
A internet é capaz de despertar o interesse pela leitura?

Sim. Os jovens leem e escrevem muito na internet, abrindo um canal para a leitura de livros no papel. Infelizmente, as pessoas têm o hábito de querer substituir e não somar. Quando surgiu a TV, disseram que era o fim do rádio e do cinema. E com o passar do tempo o que vemos foi que a televisão é mais um recurso para o entretenimento das pessoas.


O jovem está lendo mais?

O jovem de hoje lê muito mais do que o jovem de décadas passadas. Ele iniciou o hábito com a internet de forma motivadora, sem imposição. No passado, a leitura era imposta de forma punitiva. Aquele que não soubesse falar sobre determinado clássico tiraria nota baixa. Ele era obrigado a ler os livros que o professor indicava, normalmente clássicos com linguagem erudita, se deparando com inúmeras palavras que não conhecia, gerando uma "repulsa" pela leitura em geral. Agora, o jovem lê toda a coleção do Harry Potter sem que ninguém precise mandar.


Muitas bibliotecas estão disponibilizando livros mais populares, como os de autoajuda. Isso é bom?

A pessoa que procura um livro de autoajuda está querendo se tornar uma pessoa melhor. E essa é a principal intenção do livro: acrescentar algo em sua vida e te levar à reflexão. Quem se torna leitor vai navegar em outros mares para formar sua opinião. Quem inicia a leitura pela autoajuda vai abrindo para outros focos à medida que se sentir motivada para isto.


Adultos podem começar a gostar de ler sem nunca terem esse incentivo desde cedo?

Sim. Acredito mesmo nisso e já presenciei vários exemplos de mulheres que, tendo os filhos criados e lhe sobrando mais tempo para fazer o que gosta, leem muito tentando recuperar o tempo perdido. O incentivo à leitura é válido para qualquer idade.


Quais são os benefícios para quem desenvolve o hábito de ler, tanto na vida pessoal quanto na vida profissional?

Nos livros o leitor enxerga lugares, pessoas, situações que muitas vezes não teria oportunidade de vivenciar no seu cotidiano. O hábito da leitura faz com que a pessoa passe a se expressar melhor tanto na linguagem oral quanto na escrita. Seu vocabulário aumenta e seu raciocínio é estimulado. O melhor é que todas estas mudanças são espontâneas.
Fonte:  http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,internet-desperta-para-o-prazer-de-ler-diz-pedagoga,707529,0.htm

quinta-feira, 16 de junho de 2011

sexta-feira, 27 de maio de 2011

10 dicas para incentivar o seu filho a ler

Conheça atividades simples - e baratas! - que podem transformar seu filho em um pequeno grande leitor

Foto: Leitura desde cedo: incentive seu filho a ter amor pelos livros

Leitura desde cedo: incentive seu filho a ter amor pelos livros

"Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede, deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava em um outro e fazia telhado. E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro pra brincar de morar em livro." O relato é de Lygia Bojunga. Quando criança, ela fazia do livro um brinquedo. Já adulta, transformou-se em uma das principais escritoras brasileiras de livros infantis. A história de Lygia ilustra e comprova a teoria de que o contato com os livros desde cedo é importante para incentivar o gosto pela literatura.

Os benefícios da leitura são amplamente conhecidos. Quem lê adquire cultura, passa a escrever melhor, tem mais senso crítico, amplia o vocabulário e tem melhor desempenho escolar, dentre muitas outras vantagens. Por isso, é importante ler e ter contato com obras literárias desde os primeiros meses de vida. Mas como fazer com que crianças em fase de alfabetização se interessem pelos livros? É verdade que, em meio a brinquedos cada vez mais lúdicos e cheios de recursos tecnológicos, essa não é uma tarefa fácil. Mas pequenas ações podem fazer a diferença.

"O comportamento da família influencia diretamente os hábitos da criança. Se os pais leem muito, a tendência natural é que a criança também adquira o gosto pelos livros", afirma Rosane Lunardelli, doutora em Estudos da Linguagem e professora Universidade Estadual de Londrina (UEL). A família tem o papel, portanto de mostrar para a criança que a leitura é uma atividade prazerosa, e não apenas uma obrigação, algo que deve ser feito porque foi pedido na escola, por exemplo. "As crianças precisam ser encantadas pela leitura", diz Lucinea Rezende, doutora em Educação e também professora da UEL.

Para seduzir pela leitura, há diversas atividades que os pais e outros familiares podem colocar em prática com a criança e, assim, fazer do ato de ler um momento divertido. No período da alfabetização - antes dela e um pouco depois também -, especialistas sugerem que se misture a leitura com brincadeira, fazendo, por exemplo, representações da história lida, incentivando a criança a criar os próprios livros e pedindo que a criança ilustre uma história. "Para encantar as crianças pequenas, é essencial brincar com o livro", recomenda Maria Afonsina Matos, coordenadora do Centro de Estudos da Leitura da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Maria Afonsina também dá uma dica: nunca reclame dos preços dos livros diante do seu filho. "O livro precisa ser valorizado", diz ela.

Leia a seguir dicas para transformar o seu filho em fase de alfabetização em um pequeno grande leitor:
Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Respeite o ritmo do seu filho
Não se preocupe se o livro escolhido pelo seu filho parecer infantil demais. Cada criança tem um ritmo diferente. O importante é que o livro esteja sempre presente. A criança costuma dar sinais quando se sente preparada para passar para um próximo nível de leitura. "É preciso estudar o outro, entender o que ele gosta e respeitar as preferências", afirma Maria Afonsina Matos, coordenadora do Centro de Estudos da Leitura da Uesb.
2. Siga o gosto do seu filho
Talvez o que o seu filho gosta de ler não seja exatamente o que você gostaria que ele lesse. Mas, para adquirir o hábito a leitura, é preciso sentir prazer. Então, se o seu filho prefere ler livros de super-heróis aos clássicos contos de fada, por exemplo, não se preocupe (e nem pense em proibi-lo!). "É importante entender a criança e lhe proporcionar leituras que atendam aos seus desejos", diz Rosane Lunardelli, da UEL.
3. Faça passeios que tragam a leitura para o cotidiano
"Os pais precisam dar possibilidades para que as crianças se sintam envolvidas pela leitura", recomenda Lucinea Rezende, da UEL. Por isso, no seu tempo livre, procure fazer atividades com o seu filho que você possa relacionar com um livro. Uma ida ao zoológico, por exemplo, torna-se muito mais interessante depois que a criança leu um livro sobre o reino animal. E vice-versa: uma leitura sobre animais é mais bacana depois que a criança teve a oportunidade de ver de perto os bichinhos. E, assim como essa, há muitas outras maneiras de juntar passeios de fim de semana com a leitura: livro de experiências + visita a museu de ciências, livro de história + passeio em local histórico, visita a museu de arte + livro infantil sobre arte... As possibilidades são inúmeras!
4. Incentive a leitura antes de dormir
Incentive o seu filho a ler todas as noites. E, se ele ainda não for alfabetizado, conte histórias para ele antes de dormir. Por isso, é importante que ele tenha uma fonte de iluminação direta ao lado da cama, como um abajur. Uma ideia bacana é dar um presente para a criança nos fins de semana: permita que ela fique acordada até um pouco mais tarde para ler na antes de dormir. A professora Maria Afonsina Matos, da Uesb, relata que costumava contar histórias para os seus filhos todas as noites. "Hoje eles são adultos que leem muito", conta.
5. Improvise representações dos livros
"Concluída a leitura de um livro, os pais podem organizar peças de teatro baseadas na obra", sugere Lucinea Rezende, da UEL. Uma boa ideia é convidar outras crianças para participar da atividade. Os adultos podem ajudá-las a elaborar uma espécie de roteiro e pensar nas vestimentas e nos cenários a serem criados. Depois dos ensaios, a peça pode ser apresentada para um grupo de pais ou para toda a família. Também é interessante gravar com o celular ou uma filmadora a encenação da peça, para que depois a criança possa ver o próprio desempenho.
6. "Publique" o livro do seu filho
Proponha para o seu filho que ele faça o próprio livro. "As crianças gostam de criar histórias, viver personagens, imaginar paisagens", diz Maria Afonsina Matos, da Uesb. Primeiro, peça que ele tire fotos (e imprima-as) ou recorte figuras de revistas antigas. Depois, a partir das imagens, peça que ele escreva uma história. Ajude-o a criar uma capa para o livro e, por fim, coloque-o na estante, junto com outros livros. Que criança não adoraria ter um livro de sua autoria na biblioteca de casa?
7. Organize um clube do livro
Convide amigos e colegas de escola do seu filho para uma espécie de festa da leitura. No início, cada criança lê o trecho de um livro que pode até ser escolhido por eles (mas com orientação dos adultos). Depois de lida a obra, organize um debate sobre a história. Tudo isso pode ser feito durante uma tarde de sábado ou domingo, com direito a guloseimas que as crianças adoram, como cachorro-quente e chocolate quente (no fim de semana, pode!). "Na infância, a leitura tem de estar ligada a uma atividade divertida", afirma Rosane Lunardelli, da UEL.
8. Ajude-o a ler melhor
Muitas crianças ficam frustradas por ler muito devagar em voz alta. Se é o caso do seu filho, você pode ajudá-lo fazendo exercícios, como cronometrar o tempo que ele leva para ler um texto ou o trecho de um livro em voz alta. A atividade pode ser repetida várias vezes em dias diferentes e, assim, a criança vai poder comprovar o próprio desenvolvimento. Para aprimorar a atividade, peça que ele faça vozes diferentes para cara personagem da história. "A sonoridade fascina as crianças", explica Lucinea Rezende, da UEL.
9. Não pare de ler para ele
Após a alfabetização, é importante incentivar que a criança leia sozinha, mas isso não significa que você deva parar de ler para ela. Quando um adulto lê em voz alta um livro um pouco mais difícil, a criança é capaz de compreendê-lo, o que provavelmente não aconteceria se ela estivesse lendo sozinha. Abuse das vozes diferentes, dos sons, das entonações. Assim, a história fica muito mais emocionante. Parlendas e músicas, por exemplo, são ideais para serem lidas em voz alta. "Histórias lidas em voz alta e com emoção deixam as crianças mais leves, mais soltas", afirma Maria Afonsina Matos, da Uesb.
10. Frequente livrarias e bibliotecas
"Para adquirir o gosto pela leitura, a criança precisa se familiarizar com o ambiente de leitura", diz Rosane Lunardelli, da UEL. E, enquanto o acervo literário de casa é limitado, nas livrarias e nas bibliotecas a criança pode ter contato com uma infinidade de obras diferentes. Transforme as idas a livrarias, bibliotecas e feiras do livro em um programa de fim de semana. Hoje, nas grandes cidades, muitas livrarias e bibliotecas públicas oferecem atividades específicas para as crianças. E esse programa ainda é de graça. Algumas livrarias, inclusive, têm espaços para leitura (sem que os livros precisem ser comprados!).
Via http://educarparacrescer.abril.com.br